Brahmi - Oriental Wellness

Artigos

01.09.2009

Reflexologia

por Vera Bilé

OS PÉS E OS PONTOS REFLEXOS

Os pés, aquela parte do corpo que não nos lembramos que existe.
Aquela parte que massacramos diariamente, que insistimos em apertar porque as modas assim exigem. Aquela parte do corpo que colocamos muitas vezes em bases sem estabilidade, só porque é giro!

Os pés, aqueles dois que nos carregam diariamente ... o nosso peso, as nossas tensões, aqueles dois amigos que quando se queixam, não ligamos. Como se os pés tivessem obrigações.


Os pés, somos nós. Os meus pés, também sou eu. Um “eu” com muito poder, muita estrutura, muita sabedoria e representativos de todo o nosso corpo.

Os pés, cheios de pontos reflexos do interior do corpo. Eles mostram-nos o que está mal, o que tem dor e como está a nossa energia.

Os pés precisam de carinho, de respeito, assim como, de ser massajados para que nos dêem uma leitura clara de nós mesmos e para que mantenham a dura função de carregar todo o nosso peso. Esta função diária, semanal, mensal e de toda uma vida, precisa de equilíbrio.

Para ajudar a este equilíbrio dos pés, das mãos e todo o corpo físico, mental e energético, surgiu a reflexologia.

A reflexologia é uma arte, uma ciência e uma forma bastante eficaz de massajar os pés terapeuticamente.

Esta arte activa potencialidades curativas, naturais do organismo, esforçando-se por restabelecer o equilíbrio necessário ao funcionamento normal.


Os pés põem-nos em contacto com o chão, constituindo uma ligação com terra, recebendo energias que esta emana.

Todos os órgãos, glândulas e outras partes do corpo têm a sua disposição reflectida nos pés.
Em reflexologia, quando se estimula os reflexos nos pés, obtém-se uma resposta involuntária nos órgãos e glândulas, ligados por vias energéticas a esses reflexos específicos. Por sua vez, estes reflexos, quando estimulados correctamente, podem exercer uma influência profunda na nossa saúde.


Esta representação das zonas do corpo,também pode ser visa nas íris, orelhas e mãos, no entanto, estas zonas são mais fáceis de localizar nos pés. Estes possuem ainda uma sensibilidade especial pela quantidade de terminais nervosos.

Os impulsos nervosos, iniciados por pressão em áreas reflexas dos pés, vão possivelmente desembocar no sistema nervoso autónomo, que se ocupa, primariamente, da acção involuntária dos órgãos, músculos e glândulas.

Através deste trabalho de reflexologia, diminui-se tensão, resultando em relaxamento. E quando o corpo está relaxado, a circulação faz-se sem obstáculos, fornecendo às células os nutrientes e oxigénio que estas necessitam. Os órgãos voltam à normalidade e a energia flui.

A reflexologia ajuda-nos a descobrir quais as partes do organismo que estão com desequilíbrio e a funcionar mal.

Não sendo apenas útil no tratamento da doença, a reflexologia é igualmente importante na manutenção e prevenção da saúde.

Com raízes orientais, nomeadamente na China Antiga,a reflexologia despertou a curiosidade dos médicos orientais para facilitar a cura.

As técnicas específicas pelas quais se pressionam os pés, criam canais para energia curativa circular e chegar a todas as partes do corpo, permitindo ainda a limpeza de toxinas e impurezas.

A reflexologia permite ainda o abrandamento do sofrimento nervoso, revitalização da energia e equilíbrio geral de todo o organismo.

Os pés deverão manter-se quentes e confortáveis. Uma variação súbita de temperatura dos pés, afecta os reflexos, bem como os órgãos com eles relcionados.

“O verdadeiro tratamento bem sucedido não é aquele que salva a pessoa de uma doença num estado adiantado, mas sim o que evita a evolução para uma doença grave ou crónica.”

22.05.2009

Tai Chi Chuan

por Hugo Catanho

Tai Chi descreve o conhecido símbolo chinês do yin e yang. Este símbolo encerra em si a ideia que toda a vida contém forças yang positivas e poderes yin negativos, que embora sejam opostos também são complementares um em relação ao outro e são dois aspectos de uma unidade.

Yang representa a positividade, a luz, acção, energia masculina e yin representa a negatividade, a escuridão, gentileza, força feminina. A vida não pode existir sem a oposição e complementaridade destes dois componentes. Yang flui continuamente até se tornar yin e vice-versa.

O termo Tai Chi significa literalmente “Princípio Infinito” e figurativamente “O Cosmo”. Segundo o grande mestre Wang Zong Yue, o Tai Chi nasce do vazio. Origina o movimento e o repouso e é a origem do yin e do yang.

O Tai Chi Chuan (ou Taijiquan, em chinês românico) usa esta ideia de fluxo yin-yang para formar uma arte marcial interna do mais alto nível. Embora a ideia geral seja que esta magnífica arte se assemelha ao yoga ou uma dança, ela é na sua essência um sistema independente de kung fu. O yin-yang manifesta-se em todos os quatro aspectos ou dimensões do Tai Chi Chuan, nomeadamente na postura, no treino da força, na aplicação e na teoria.

Reza a lenda que a origem do Tai Chi Chuan se deveu a Zhang San Feng, um sacerdote taoista, que durante a dinastia Yuan, aprendeu artes marciais no templo de Shaolin. Um dia, enquanto pensava na aparente incompatibilidade entre a força e respiração pesada da arte marcial e a sua prática taoista, sentou-se e observou como um grou e uma serpente de confrontavam num combate mortal. Observou que ambos os animais ora eram suaves, ora sólidos, mas sempre harmoniosos.
Desta observação Zhang San Feng desenvolveu o Tai Chi Chuan e engenhosamente em vez de treinar Kung Fu, Chi Kung e meditação, ele unificou estas componentes numa única arte.

Outra versão da origem desta arte interna reporta à família Chen da aldeia Chen no norte da China, por volta do fim da dinastia Sung e princípio da dinastia Yuan. Ao certo nunca saberemos a exacta origem do Tai Chi Chuan, mas sabemos que os vários sistemas actuais tiveram origem nessa forma proveniente da aldeia Chen. O estilo Chen contém técnicas duras e suaves, assemelhando-se ao Kung Fu.

Mais tarde, Yang Lu Chan aprendeu a forma Chen do Tai Chi com Chen Chang Shing e ensinou-a ao seu neto Yang Cheng Fu. Este reviu e adaptou os movimentos do estilo Chen, que continha pontapés e movimentos de execução difícil, e adaptou-os para uma forma mais suave para que todos pudessem praticar e beneficiar. Estava criado o estilo Yang, assim designado em homenagem ao seu criador. Este estilo caracteriza-se por ter movimentos circulares e largos e as técnicas são relativamente fáceis de visualizar e executar.

Wu Chuan You, um artista marcial, que anteriormente tinha praticado Shuai-jao (luta chinesa), estudou o estilo Chen com Yang Ban Ho, o filho de Yang Lu Chan. Wu, acrescentou o seu toque pessoal, nomeadamente mais projecções e chaves, ao estilo Chen e desenvolveu o estilo Wu, que usa círculos pequenos, projecções e empurrões.

Existe ainda o estilo Sun, criado por Sun Lu Tang, mestre de Hsing-i e Pa Kwa, que juntou vários movimentos e técnicas destes estilos de Kung Fu.

Em 1989, foi criada, pela Comissão Chinesa de Desporto, a forma dos 42 movimentos, usada em competições, que combina técnicas dos estilos Chen, Yang, Wu e Sun. Esta forma contém uma rica mistura de estilos e técnicas tendo, no entanto, uma vida própria que se vê na sequência de posturas e técnicas. É indicada tanto para iniciados como para praticantes avançados.

No Tai Chi Chuan desenvolvemos força interior com especial ênfase no poder da mente e no fluxo intrínseco de energia. Durante a prática a força obtida é versátil e pode ser usada de várias maneiras. Quem aumenta o poder da mente com a meditação e a energia intrínseca desenvolve a lucidez mental necessária para observar calmamente os movimentos do oponente e canalizar a energia para as mãos e pernas e desferir golpes poderosos.
Além disso, o seu aspecto meditativo e a sua ênfase nos movimentos relaxados contribuem para a serenidade da mente e a clareza dos pensamentos.

O principiante encontrará uma primeira fase de treino mais suave mas um praticante avançado poderá combinar um poder duro, rápido com uma força suave e fluida. Este é o verdadeiro segredo do Tai Chi Chuan, o segredo da vida em si, ser sólido como uma montanha e fluir como um rio.

Esta arte é exigente e para tal devemos ter em consideração alguns conselhos fundamentais, mesmo que alguns possam soar algo estranhos ou pouco familiares só uma prática diligente trará as respostas tornando-se claro como a água:
- o Shen, ou espírito, deve-se elevar até ao topo
- recolher o peito para o chi descer para o Dan tian
- soltar a cintura e estabilizar a postura
- diferenciar entre “aparente” e “real”
- baixar e relaxar os ombros e deixar cair os cotovelos
- usar a vontade (mente) e não a força
- coordenar as partes superior e inferior do corpo
- unir o interior e o exterior, ou seja, deixar a mente comandar o corpo
- fluir em continuidade sem interrupção
- permanecer calmo e relaxado procurando a quietude no movimento
- quanto mais lento for o movimento, melhor.

Existem 13 técnicas fundamentais no Tai Chi Chuan que compreendem oito movimentos básicos de mãos e cinco movimentos básicos de pernas. Os oito movimentos de mãos são: peng (bloquear com as mãos, aparar), lu (rebater), qi (pressionar), an (empurrar), lie (estender), cai (agarrar), zhou (dar uma cotovelada), e kao (inclinar). Os cinco movimentos de pernas incluem: jin (avançar), tui (recuar), ku (para a esquerda), pan (para a direita) e ding (permanecer no centro).

Os oito movimentos de mãos e os cinco das pernas são inspirados no conceito dos oito trigramas, ou ba-gua (pakua) e nos cinco processos elementares, ou wuxing (wu hsing), respectivamente. Ambos provêm da filosofia taoista e são alicerçados no princípio yin-yang.

O Tai Chi Chuan é uma eficiente arte de combate, mas também aprimora a concentração mental e a clareza de pensamento e facilita o fluxo harmonioso de energia para proporcionar mais saúde física e emocional. É, por isso, eficaz na cura e na prevenção de doenças, tanto do foro físico, como do foro psicológico, muitas das quais a medicina convencional considera incuráveis.

Tai Chi Chuan é distinto do Chi Kung. Enquanto que o primeiro é uma arte marcial o segundo destina-se a promover a saúde através potenciação do fluxo de energia no organismo. No entanto, para atingirmos níveis avançados no Tai Chi Chuan, seja com o intuito de combate ou promoção da saúde, é necessária uma prática contínua de Chi Kung, pois sem o adequado treino do Chi será impossível desenvolver força interna, a mesma que confere ao Tai Chi Chuan os benefícios em termos de saúde e a sua excelência enquanto arte marcial.

A prática de Tai Chi Chuan, embora complexa, é aliciante. A evolução é gradual mas transporta-nos, de certeza, para patamares cada vez mais elevados do nosso auto-conhecimento permitindo que alcancemos uma maior harmonia com o Cosmo.

Sendo uma arte taoista, a sua filosofia e prática derivam de Tao Te King. No legado de Lao Tsé encontramos um pensamento que descreve a verdadeira essência do Tai Chi Chuan:

A coisa mais flexível do mundo
Vence a mais rígida
O que não existe penetra até mesmo
No que não tem frestas.

22.05.2009

Chi Kung

por Hugo Catanho

Para se entender o que é o Chi Kung é necessário entender o que é o Chi. Chi é energia, a força vital e natural que preenche o Universo. É a força motriz que permite que andemos, trabalhemos, pensemos, visualizemos, enfim, vivamos.

Claro que obtemos Chi, ou energia vital, através do ar que respiramos e da comida que ingerimos, mas a prática do Chi Kung potencia essa mesma energia, permitindo-nos obter o melhor da vida e vivê-la verdadeira e completamente.

Chi Kung não é uma série de exercícios suaves. Cada exercício tem um poder intrínseco capaz de mover montanhas se for preciso. Chi Kung (ou Qi Gong quando transliterado, sendo esta designação foneticamente mais correcta) é definido como a arte da energia, i.e., a arte de desenvolver a energia vital para atingir uma melhor saúde, força interna, cultivo da mente e realização espiritual.

As raízes do Chi Kung perdem-se no Tempo. Foi praticado desde a Antiguidade, não só pelos chineses, mas também por outros povos de grandes culturas em regiões e épocas distintas. E, por tal, tem assumido diversos nomes: Yoga, para os indianos, Arte dos mistérios, para os antigos gregos e egípcios, e Arte da sabedoria, para os tibetanos.Independentemente do nome, estas artes tinham em comum os seus objectivos e propósitos, metodologias e filosofias.

Como foram ensinadas a um grupo restrito de alunos, seleccionados por um mestre sábio, estas artes foram-se desenvolvendo e evoluindo distintamente chegando aos nossos dias marcadamente independentes, mas provavelmente tão similares no que concerne à sua essência.
O Chi Kung não foi inventado por ninguém em especial. É o resultado de vários milhares de anos de experiência humana no uso da energia cósmica para diversos propósitos.

Mestres do passado desenvolveram artes energéticas com o propósito de curar doenças, promover a saúde e a longevidade, aumentar as capacidades marciais, expandir a mente, obter diferentes níveis de consciência e alcançar a espiritualidade. Só a partir dos anos 1950’s é que estas artes milenares foram baptizadas e, curiosamente, embora de tradição milenar, o Chi Kung começou a tornar-se mais popular entre o público geral, na China, nos anos 1960’s, depois do mestre Liu Gu Zhen empregar a terapia Chi Kung para tratar pessoas.

Provavelmente existirão centenas de diferentes tipos de Chi Kung, mas qualquer que seja o tipo em questão, deve enfatizar os três aspectos: a forma, a energia e a mente.
Embora a forma não seja, de todo, o elemento mais importante, deve ser praticada correctamente de modo a serem tirados os maiores benefícios e, sobretudo, para evitarmos obter “efeitos secundários” de uma prática incorrecta. Todo e qualquer exercício deve ser efectuado de uma maneira gentil, graciosa e natural.
A energia, normalmente, mas nem sempre, é expressa na respiração que, tal como a forma, deve ser gentil, graciosa e natural.
A mente é o elemento mais importante dos três considerados na prática de Chi Kung, tanto para níveis mais avançados como para níveis mais iniciados.

Ao praticarmos exercícios de Chi Kung, se só executarmos a forma provavelmente só obtemos cerca de 20 por cento dos benefícios de determinado exercício. Se coordenarmos o exercício formal com uma respiração correcta poderemos chegar aos 50 por cento. Contudo, os maiores benefícios da prática advêm quando incorporamos a mente em cada exercício, harmonizando e unificando mente, energia e forma. Para tal é essencial estarmos física, emocional e mentalmente relaxados, devendo a mente estar livre de qualquer pensamento irrelevante. Só assim estamos em estado de Chi Kung e só a partir daqui é que a maravilhosa viagem de descobertas se inicia.

A prática de Chi Kung pode ser dividida, de acordo com a teoria e o treino, em duas categorias: Wai Dan (ou elixir externo) e Nei Dan (elixir interno). Wai Dan refere-se ao Chi Kung cujos exercícios são acompanhados de movimento com os quais o praticante promove um fluxo de energia pelos membros conduzindo-a posteriormente para o centro do corpo para revitalizar toda a sua estrutura. Nei Dan refere-se à forma de Chi Kung sem movimento externo na qual a energia flui e se potencia no corpo sendo posteriormente dirigida para os membros.

Ao praticar Chi Kung devemos ter em mente três regras de ouro: não intelectualizar, não preocupar e, sobretudo, desfrutar. Só assim, descontraídos, poderemos realmente usufruir dos verdadeiros benefícios desta fantástica arte: relaxar e fortalecer músculos e articulações; aumentar a agilidade e flexibilidade; usar exercícios específicos para curar determinadas doenças; treinar determinadas capacidades e induzir um fluxo de energia.
O fluxo de energia permite que limpemos o corpo por dentro, desbloqueia meridianos, reequilibra os nossos níveis energéticos e alinha os nossos centros energéticos (chacras).

Qualquer pessoa, de qualquer idade, sexo, credo ou filosofia pode praticar Chi Kung. Esta prática não é espiritualista mas visa a um desenvolvimento espiritual, bem como um fortalecimento do corpo e da mente. No entanto, são necessárias algumas recomendações e assistência para certas pessoas, como grávidas e idosos, uma vez que, dado o poder de certos exercícios, se forem mal executados, poderão ter efeitos adversos.
A prática ideal seria ao ar livre, nunca debaixo da luz solar directa, mas antes debaixo de um árvore, por exemplo. Mas claro, dentro de casa a prática é igualmente benéfica e nos tempos que correm nem sempre é possível apontar para o óptimo. Devemos treinar diariamente, se possível de manhã e à noite, sem exagerar.
Os livros ensinam-nos muito, mas a verdadeira experiência do Chi Kung deverá ser feita ao vivo, relaxados e com um sorriso no peito.

Com a prática do Chi Kung não precisamos de nos tornar vegetarianos, nem ir viver em clausura para uma gruta numa montanha remota, nem tão pouco ter uma vivência asceta. Aprendemos, sim, a viver em harmonia com o Universo, expandindo a nossa consciência, fluindo de acordo com a nossa verdadeira essência.

22.05.2009

O Yoga

por Simão Monteiro
Há alguns milénios atrás (pelo menos 5000 anos), na civilização do vale do Indo, antiga Índia e actual Paquistão, florescia uma forma de estar e observar a vida que se viria a chamar Yoga. Esse conhecimento que foi crescendo e sendo ensinando de geração a geração pelos sábios (rishis) através do método “boca a ouvido” chegou até nós, em pleno século XXI onde, talvez mais do que nunca, a prática e o estudo do Yoga são necessários para resolver esta era de conflitos profundos na sociedade. E se continua a fazer sentido praticá-lo é porque a condição humana não mudou nestes últimos milénios: continuamos a ter o mesmo tipo de dificuldades e a buscar o mesmo, a felicidade.

A palavra Yoga é traduzida geralmente como “união”, no sentido de unir as diversas facetas do ser humano (corpo, respiração, mente, ego, intelecto). Essa união leva o praticante a centrar-se, alinhar-se, purificar-se como um todo de forma a poder conhecer qual a sua natureza real.

"A unidade da respiração, a consciência e os sentidos, seguida pela aniquilação de todos os conceitos: isso é o Yoga."

Maitrí Upanishad, VI:25.
 
Mas Yoga também significa trabalho, aplicação. O Yoga é um caminho e também o fim, para conhecermos a nossa verdadeira realidade, mais além das construções mentais espaço-temporais de formas e nomes. Pode ser entendido como uma cultura já que abarca tradições milenares, filosofia de vida, prática de técnicas, estudo e reflexão, arte, etc. Ao longo deste processo de prática e conhecimento, o yogi vai ampliando a percepção do mundo à sua volta, tornando-se mais sensível aos seres que o habitam, sejam eles humanos ou não, e descobre-se como sendo completo. É esse o grande objectivo do Yoga, a libertação (moksha) da sensação ilusória de ser incompleto, de que falta algo, de querer ser ou tornar-se algo diferente. Para sermos mais correctos, não se trata de uma experiência que o praticante tem mas antes uma realização de algo que está sempre presente, o Ser que observa e que permeia tudo.

Existem actualmente diversas formas de praticar e aplicar o Yoga: Jñána Yoga (Yoga do conhecimento), o Karma Yoga (Yoga da acção), Bhakti Yoga (Yoga da devoção), Rája Yoga (toda a prática avançada e subtil), etc. Uma das mais conhecidas e utilizadas no Ocidente recebe o nome de Hatha Yoga. Os Hatha Yogis utilizam seu corpo físico, a energia que anima esse corpo (prána) e técnicas de concentração profunda como forma de poderem libertar-se dos condicionamentos, da escravidão sensorial, das misérias existenciais, sentimentos indesejáveis, entre outros. A prática e o estudo do Hatha Yoga vão desde a ética e o cultivo de valores fundamentais para o yogi (como a não-violência, a verdade, a não possessividade, etc.) até às técnicas mais contemplativas de meditação.

Nas palavras do Professor Pedro Kupfer:

“A proposta que o Hatha Yoga nos faz é que seria desejável dedicarmos boa parte dos nossos esforços à realização da mais importante das tarefas. Essa tarefa é tríplice:

1) Em primeiro lugar, o Hatha Yoga propõe o desenvolvimento de uma apreciação ética da existência e de uma vida de virtude, orientada para o desenvolvimento e a auto-descoberta interior.

2) Em segundo lugar, o Hatha Yoga nos propõe o cultivo da saúde psicofísica em seu sentido mais amplo.

3) Finalmente, como objectivo mais importante (muito embora não exclua os anteriores), o Hatha Yoga busca a realização do potencial espiritual do praticante, o estado de moksha.”


Isto faz-nos pensar se realmente o que se fala e pensa do Yoga por aí tem algo a ver com a sua proposta inicial: a de conhecimento de si mesmo e consequente libertação do sofrimento. O Hatha Yoga e o Yoga em geral, nunca teve como prioridade curar doenças, aliviar stress, promover bem-estar ou melhorar o desempenho sexual dos chamados yogis.

O Yoga deve ser tratado como o que ele é de facto: uma escola filosófica cujo objectivo final é moksha (liberdade). O que vemos hoje em dia é milhões de pessoas praticando a ginástica do Yoga sem o conteúdo, o contexto onde o Yoga está inserido. Esse contexto é fundamental para que possamos extrair do Yoga todo o seu potencial e não apenas seus benefícios terapêuticos.

Chegamos então facilmente à constatação que Yoga não é tão-pouco uma religião pois não tem dogmas, nem doutrinas, nem nada em que acreditar. O Yoga é feito por seres humanos para seres humanos. Assim, qualquer pessoa de qualquer credo ou religião poderá praticar Yoga sem que isso afecte as suas convicções. O Yoga poderá ajudar a tornar um cristão num melhor cristão, um muçulmano num melhor muçulmano, etc.

Qualquer pessoa pode praticar o Yoga desde que tenha força de vontade, nem que seja um pouquinho no início. Aconselhamos sempre que a pessoa consulte o seu médico antes de iniciar a prática para que tanto ela como seu professor de Yoga saibam como adequar a prática às suas necessidades. Mesmo que exista alguma limitação física, quase sempre é possível ajustar a prática ao praticante permitindo que o Yoga não só possa ajudá-lo no processo de cura mas principalmente levar a pessoa a um conhecimento de si mesmo. O tratado Hatha Yoga Pradipiká diz-nos:

“Qualquer pessoa que pratique activamente Yoga, seja ela jovem, velha ou mesmo muito velha, enfermiça e débil, pode converter-se em um siddha. (I:64.)

Qualquer um que praticar pode conseguir a perfeição (siddhi), a menos que seja preguiçoso. Não se conquista a meta do Yoga apenas lendo livros. (I:65.)
 
Tampouco se conseguem os siddhis vestindo-se de uma forma determinada ou especulando sobre o Yoga: somente se triunfa através da prática constante. Sem dúvida, este é o secreto do sucesso na prática. (I:66.)”

O Yoga vale por aquilo que nos proporciona no momento, integrando passado e futuro. O resultado da prática acontece agora. Praticando com dedicação, perseverança, desapego e discernimento o Yoga vai revelando cada vez mais seu poder intrínseco, desfazendo as malhas da ignorância, revelando o conhecimento. O Yogi passa a viver de forma mais simples, com o mínimo de necessidades, observando o mundo de forma objectiva, aceitando os factos como eles são e fazendo, se for caso disso, o que for necessário para os melhorar.

Termino com as palavras do erudito Georg Feuerstein.

“O método yogik é perfeito. Surge da experimentação prática, convida a ela e inclusive a exige, e se demonstra por meio da experimentação pessoal. A falta de sucesso no caminho yogik não é provocada por um defeito do Yoga, senão sempre pelo fracasso da pessoa que carece do critério necessário ou não segue correctamente seus procedimentos. (…) O Yoga é como uma mãe paciente que nutre a todo aquele que esteja disposto a realizar o mais humilde gesto de compromisso em relação ao caminho espiritual. (…) O Yoga nunca foi dirigido ao consumo fácil e as promessas de alcançar soluções rápidas, ou inclusive a iluminação num fim-de-semana são ostensivamente ridículas. Na verdade, obtemos do Yoga aquilo que lhe aportamos.”


01.05.2009

O Ayurveda na Libertação de Gorduras

In Flor de Lótus por Joel Santos
A medicina ayurvédica, com origem na Índia tem já uma história de mais de 2000 anos. De notar que o ayurveda serviu de base para a medicina chinesa, grega e árabe, sendo considerada a mãe da medicina.

Leia a notícia
01.04.2009

Chavutti Thirumal

por Joel Santos
É uma massagem feita com os pés em que o terapeuta agarra uma forte corda que lhe serve de apoio.
Esta massagem permite colocar muita pressão sobre quem a recebe, mas também pode ser bastante suave. Utiliza manobras longas e poderosas que só com o comprimento das pernas aliado ao peso do terapeuta poderiam permitir. É como uma dança que flui sobre um corpo que o energiza e que o restabelece.

A Chavutti Thirumal tem origem no Kerala, um estado do sul da Índia onde foi criada e desenvolvida pelos praticantes de Kalaripayattu (arte marcial indiana) e pelos praticantes de Kathakali (dança indiana). Uma vez por ano os praticantes destas modalidades interrompem a sua pratica durante algumas semanas para receberem este tipo de massagem com o objectivo do corpo ficar forte e flexível prevenindo assim lesões devido à prática intensa do Kalaripayattu ou do Kathakali. Esta massagem é efectivamente muito util para qualquer atleta ou praticante de uma actividade física mais ou menos intensa. No entanto, qualquer pessoa pode receber esta massagem.

Igualmente associada à Medicina Ayurvédica a Chavutti Thirumal também é muito terapêutica. Charaka, que foi um dos pioneiros desta  medicina, há mais de 2000 mil anos atrás, escreveu sobre esta massagem no seu conhecido texto, “Charaka Samhita” denominando-a de Padaghata. Charaka elogiou-a de tal forma, que a incluiu no seu tratado de Medicina Ayurvédica, considerando-a uma das massagens mais eficazes para eliminar a letargia, assim como o cansaço fisico e mental.

A Medicina Ayurvédica também de origem indina, que literalmente se traduz por, “ciência da vida” tem na massagem uma valiosa ferramenta para ajudar quem procura encontrar o seu equilibrio fisico, mental, emocional e espiritual. E nesta massagem especifica - Chavutti Thirumal, também conhecida em alguns locais da Índia por Chavitti Uzichil – encontra-se ainda, uma excelente auxiliar para diversos casos, como a esclerose multipla, atrofia muscular e ciática.

Contudo, o ideal é receber esta massagem antes de nos sentirmos muito necessitados. A Chavutti Thirumal, ajuda a eliminar as toxinas do organismo, devido à sua acção profunda sobre os músculos, ligamentos e órgãos internos. Estimula a circulação do sangue e da linfa, corrige a postura e fortalece as articulações. Tem um efeito muito energizante, mas que no entanto acalma a mente e o espírito.
Esta energia em sintonia com a tranquilidade que a massagem proporciona é devida, não só ao óleo morno que se utiliza mas também e principalmente ao reequilibrio do fluxo energético do organismo.